Cresce número de meninos vítimas de exploração sexual 19/5/2009

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Capital

Cresce número de meninos vítimas de exploração sexual

Segundo pesquisa divulgada ontem pela Setfor, 42,6% das crianças e adolescentes vítimas de exploração sexual em Fortaleza são meninos, enquanto 57,4% são meninas

Lucinthya Gomes
da Redação

Os meninos estão cada vez mais sendo alvo da exploração sexual. Pesquisa divulgada ontem pela Secretaria do Turismo de Fortaleza (Setfor) indica que 42,6% de crianças e adolescentes vítimas de exploração sexual são meninos, enquanto 57,4% são meninas. Embora elas ainda tenham predominância, os números revelam que o percentual de meninos envolvidos neste tipo de violência está crescendo, se comparado a pesquisas anteriores.

Pesquisa realizada em 2003, sobre exploração sexual comercial de crianças e adolescentes no Estado do Ceará, apontou que 89,4% eram meninas e apenas 10,6% eram meninos. O número atual mostra uma nova realidade. “Esse tipo de violência era eminentemente de gênero. Crianças e adolescentes de ambos os sexos são vítimas desse tipo de violação dos direitos humanos”, informa o texto.

A pesquisa Exploração Sexual Infanto-Juvenil no Turismo em Fortaleza foi apresentada ontem, Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, durante solenidade no Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Foram consultados 129 crianças e adolescentes envolvidos na exploração sexual, em Fortaleza, tendo como área de abrangência a orla marítima, desde a Barra do Ceará até a Praia do Futuro.

Com relação à faixa etária, o estudo identificou 2,1% de crianças de 10 a 11 anos e 97,9% adolescentes de 12 a 17 anos. “O número de crianças exploradas é bem menor que o de adolescentes explorados. A faixa etária predominante é entre 15 e 17 anos”, explica a coordenadora de desenvolvimento turístico da Setfor, Josenira Pedrosa. Além disso, 69% dos jovens entrevistados moram com a família. “Na maioria deles a prática é mantida em segredo”.

Crianças e adolescentes ouvidos apontam a Praia de Iracema (23,4%) e a avenida Beira Mar (29,6%) como lugares mais recorrentes para a exploração sexual. Também foi apontada como área as imediações do Castelão (17,2%), nas proximidades do cemitério Parque da Paz.

Taxistas (35,1%) foram considerados os maiores influenciadores e intermediadores da exploração sexual de crianças e adolescentes, seguidos dos barraqueiros de praia (10,6%), dos donos de hotéis (6,4%) e garçons (6,4%). “Isso aponta a necessidade de política para tratar essa problemática junto à categoria dos taxistas”, disse Josenira.

PESQUISA

Perfil dos entrevistados:
> 57,4% - Feminino
> 42,6% - Masculino
Faixa etária:
> 97,9% - 12 a 17 anos
>2,1% - 10 a 11 anos
Moram com quem:
> 69% - Moram com a família
> 31% - Não moram com a família
Matriculado em escola:
> 52,7% - Não
>41,1% - Sim
> 6,2% - Não respondeu
Segmento apontados como o principal intermediário/influenciador:
> 35,1% - Taxistas
> 10,6% -Barraqueiros/
Guias de Turismo
> 9,6% - Ambulantes
> 6,4% - Donos de hotéis
> 6,4% - Garçons
> 2,1% - Flanelinhas
> 1,1% - Porteiros
> 1,1% -Seguranças/Mototaxistas
> 21,3% - Outro
> 6,3% - Não responderam

FONTE: Secretaria do Turismo de Fortaleza (Setfor)

DICIONÁRIO

>Violência sexual -
É um fenômeno social que envolve complexas relações de poder e qualquer situação de jogo, ato ou relação sexual, homo ou heterossexual, com ou sem contato físico, entre uma pessoa mais velha e uma criança ou um adolescente, se expressando através do abuso sexual (intra ou extrafamiliar) e/ou da exploração.

> Exploração sexual infanto-juvenil - É a utilização sexual de crianças e adolescentes com fins comerciais e/ou de lucro. Acontece quando meninos e meninas são induzidos a manter relações sexuais com adultos ou adolescentes mais velhos, quando são usados para produção de materiais pornográficos ou levados para outras cidades, estados ou países.

>Abuso sexual - É a utilização de crianças e adolescentes em relação de poder, geralmente por pessoas próximas, que se aproveitam dessa relação para satisfazer seus desejos sexuais. Pode ocorrer com ou sem violência física.

Serviço
Denuncie: 0800 285 0880 (Municipal), 0800 285 1404 (Estadual), 100 (Nacional)
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Por:
Assessoria de Comunicação

 
   
   
   
     
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