Fortaleza é líder em denúncias de exploração sexual 5/19/2009

Clipping Curumins - jornal O Estado

Fortaleza é líder nacional em denúncias de exploração sexual

Taxistas são apontados como principais intermediadores

No Dia Nacional de Combate à Exploração Sexual no Brasil, a Polícia Federal, através da Operação Turko, realizou no Ceará dois mandatos de busca e apreensão para combater crimes de pornografia infantil na internet. Para marcar a data, mais de mil vozes romperam o silêncio de crianças e jovens abusadas sexualmente em Fortaleza, cidade que lidera o ranking nacional de denúncias contra violência sexual no País. Só no ano passado, 1.605 denúncias de exploração sexual foram recebidas na capital através do Disque Denúncia Nacional de Abuso e Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes (Disque 100), do Governo. Entre a denúncia e a efetiva proteção aos jovens falta muito ainda: os dados não mostram necessariamente que as violações aumentaram ou diminuíram, mas sim que a consciência das pessoas aumentou. “As denúncias são importantes, mas a proteção é fundamental. As crianças precisam de carinho, de escola, de moradia, de dignidade, enfim, de garantias sociais que não a tornem vítimas”, afirmou Lídia Rodrigues, secretária Executiva do Fórum Cearense de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes. Nos meses de janeiro e fevereiro desse ano, 194 denúncias foram feitas no Disque 100, em média três a cada dia. Fazendo parte de uma rede de turismo sexual, taxistas são apontados como principais intermediadores entre a vítima e o criminoso. De acordo com a Lei nº 8069/90, artigo 244-A (Estatuto da Criança e do Adolescente), a exploração sexual de crianças e adolescentes é crime. A pena é de 4 a 10 anos de reclusão e multa.

Em cortejo pelas ruas do Centro, militantes sociais e adolescentes realizaram ato na tarde de ontem. Com pernas-de-pau, fantasiados, dançando e tocando percussão, os jovens chamaram atenção dos transeuntes para o combate à violência sexual. A data marca uma reflexão sobre o mundo e as questões tanto culturais, quanto financeiras e emocionais que cercam a problemática. Segundo a representante do Fórum de Enfrentamento “essas violações são fruto de uma sociedade capitalista, sexistas, machista que vê as crianças como objetos”. Em manifestação, o grupo saiu da Praça da Criança e seguiu até a Praça do Ferreira com apresentações de diversas atrações culturais. Mais de 20 grupos e entidades sociais estiveram presentes levantando a bandeira contra o silêncio e a omissão.

» A importância de denunciar. A cada passo que davam, os militantes informavam à população, distribuindo panfletos e uma pulseira da campanha ‘Faça o bem’. Colocando o enfeite no braço, a mãe de três filhos, que não quis se identificar, se entusiasmou com o ato e seguiu o cortejo. “Eu acho muito importante que as pessoas façam isso. Eu cuido muito dos meus meninos para que ninguém possa fazer mal a eles. É dando amor e proteção que podemos evitar que eles, soltos no mundo, corram riscos”, declarou A.P, 23, que aos 10 anos de idade foi abusada no lar por familiares. Segundo ela, esse foi o pior trauma da sua vida. “Vamos proteger nossos meninos das coisas ruins”, finalizou.

Disque 100, Conselho Tutelar, Delegacia de Combate aos Crimes de Exploração da Criança e do Adolescente (Dececa), Disque Direitos Criança e Adolescente (DDCA), através do número 0800-285-0880. Essas são algumas das maneiras de denunciar casos de exploração sexual. Avaliando o hiato entre as denuncias e a real punição dos violadores, Germana Vieira, coordenadora do projeto aquarela da Fundação da Criança e da Família Cidadã (Funci), fala que muitas denúncias ainda são subnotificadas: “Trabalhamos em conjunto para que as vítimas possam receber apoio psicossocial e que a realidade mude”, disse a coordenadora. Segundo ela, a Funci realizou, nos três primeiros meses do ano, 154 visitas domiciliares e 4040 atendimentos psicossociais.

Criticando as políticas públicas de combate em Fortaleza, Lídia Rodrigues disse que não há prioridade orçamentária para a execução de projetos. “Muitas vezes, se percebe a criança apenas como vítima. Os programas têm que vê-la como um todo e pensar que ela tem chance de um futuro novo”, frisou a representante do Fórum. Ela acrescentou que Fortaleza possui apenas uma delegacia de combate e poucos Centros Especializados de Assistência Social (Creas). “Não dá para fazer política sem o real comprometimento do Estado. Há muitos jovens gritando por socorro”, finalizou.

» Vida sem rumo. Desarranjo familiar, miséria, falta de perspectiva de futuro, carência emocional. Muitos são os motivos que levam meninas e meninos para esse mundo que tanto os machuca. Trabalhando há 15 anos nas ruas da cidade, Iara Lima sofre com cada história de sofrimento que testemunha. “As meninas pedem socorro com os olhos e com o corpo. Elas precisam de futuro, de um sonho que as tire dessa e traga um sorriso de volta”, disse a educadora social da Barraca da Amizade. Com projetos de capacitação social, a instituição abriga 20 meninos e ajuda outros 55. “Não podemos ficar calados a espera do poder público apenas”, concluiu a educadora.
Lembrando o violento assassinato em 18 de maio de 1973, na cidade de Vitória/ES, da criança de oito anos chamada Araceli que foi sequestrada e assassinada após ter sido drogada e brutalmente violentada por rapazes de classe média, jovens se manifestaram contra essa e outras ações criminosas. Várias ‘Aracelis’ existem no Jangurussu, por exemplo. Testemunhando duras realidades de vida no Jangurussu, a jovem Erica Santiago, do grupo Convida da Rede do Jangurussu e Ancurí (Reajan) ajuda adolescentes a não serem violadas. “Como jovens temos que pensar no futuro sem violência, com muita paz e alegria”, afirmou a educadora social que veio ao ato acompanhada de outros 100 jovens militantes.

» Pesquisa. Comprovando aquilo que já sabíamos, o estudo da Setfor, lançado ontem, realizou o mapeamento em áreas de risco da cidade a fim de conhecer o panorama da exploração sexual em Fortaleza. Os dados que, mesmo com campanhas de conscientização, ainda podemos encontrar dezenas de meninos e meninas, entre 12 e 17 anos, nas esquinas da cidade, vendendo o corpo e o resto de dignidade que lhes restam. A partir dos estudos em 2007 e 2008, foram mapeados 104 jovens que sofreram violências sexuais na beira-mar e Serrinha.

Dos casos encontrados, 29% desses aconteceram na beira-mar, 23% na Praia de Iracema e 17% nas redondezas do aeroporto. O censo fala também de uma rede de turismo sexual que encadeia hotéis, restaurantes, agências de viagens e taxistas. “Em contexto de exploração e turismo sexual, os taxistas foram apontados como principais intermediadores do crime”, frisou Luiziania Gonçalves, gerente de pesquisa e informação da Setfor. O aumento das denúncias em Fortaleza revela, segundo ela, que a população tem estado mais atenta: “até os turistas tem ficado com medo de serem presos. Estamos aumentando nossas fiscalizações e ações educativas”, finalizou a gerente. Dos turistas violadores, 44% são de origem nacional, 51% internacional e 23% local.

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Por:
Assessoria de Comunicação

 
   
   
   
     
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