411 crianças moram nas ruas 13/6/2009

Clipping Curumins - jornal Diário do Nordeste

Levantamentos recentes revelam que no Ceará há 606 mil crianças e adolescentes fora da escola e que, em 2008, 400 jovens morreram de forma violenta, a maioria assassinada. Mas quantas moram na rua? Especulações existem, em geral para um número que não condiz com a realidade.

Segundo levantamento da organização não-governamental O Pequeno Nazareno, que dá acolhimento, escola e lazer a esse público há 16 anos, na Capital cearense há 411 crianças morando nas ruas. Em São Paulo, cidade mais populosa do Brasil, são 805, segundo pesquisa feita pela Universidade de São Paulo (USP) em 2007.

Como não há uma recomendação nacional para classificar a criança moradora da rua, a confusão começa com a nomenclatura. Em Porto Alegre (RS), por exemplo, o público é chamado de “criança e adolescente em situação de rua/moradia ou rua/sobrevivência”. Em São Luís (MA), é “em situação de rua cristalizada”; e em Belo Horizonte (MG), “criança e adolescente com trajetória de vida na rua”.

Para classificar este público, chegar a um número real e, assim, incentivar a realização de um censo nacional, será lançado, na próxima segunda-feira, no plenário da Assembléia Legislativa, às 14h30, o “Censo da Exclusão ou Falta de Inclusão nos Censos?”. O documento foi elaborado com base na situação de todas as capitais brasileiras e deve servir de base para um relatório oficial, único e que sirva de base para a criação de políticas públicas.

A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que, no Brasil, cinco milhões de crianças morem nas ruas. O governo Federal refuta o número, as organizações não-governamentais também, e o IBGE não tem o dado pois só contabiliza pessoas em domicílios.

A confusão se dá por falta de uma classificação específica e única para a criança moradora de rua. Isso porque, segundo o coordenador da Campanha Nacional Criança não é de Rua, Adriano Ribeiro, muitas crianças passam o dia na rua, mas têm uma casa para a qual voltar no fim do dia. Na opinião dele, a classificação deve delimitar a criança que perdeu os vínculos emocional, afetivo e físico com a família e sobrevive sem a ajuda de adultos, na rua.

Atenção

O trabalho de O Pequeno Nazareno é chegar a esses meninos e meninas através de educadores sociais, sentar, conversar com as crianças, ganhar a confiança delas e só então oferecer o que Adriano Ribeiro chama de “oportunidade diferente”.

Para ele, é fácil encontrar uma solução. “A população precisa entender que esse não é um dever só do Estado, mas da família, da comunidade”, analisa, acrescentando que, aqui, há pessoas que há dez anos sobrevivem na rua. Hoje o Pequeno Nazareno acolhe, em um sítio com açude, piscina, árvores e tudo o mais de que criança gosta — além de escola e reforço escolar —, 66 crianças de seis a 12 anos de idade. “Há política pública e orçamento para programas voltados à criança que trabalha, que não está na escola, mas não para a que vive na rua”, diz.
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Por:
Assessoria de Comunicação

 
   
   
   
     
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