Denúncias ao Disque Direitos crescem 51,7% em um ano 10/2/2010

Disque Direitos

Os bairros da Secretaria Executiva Regional V foram os que apresentaram o maior número de registros Sempre que se fala em crimes contra a criança e o adolescente vem logo à cabeça exploração sexual. Apesar de ser bem recorrente, não é essa a violação de direito mais comumente denunciada pela população ao Disque Direitos Criança e Adolescente (DDCA). As violações que chegam em maior número, originadas de toda a Região Metropolitana de Fortaleza, são negligência, acompanhamento familiar e violência física. Pelo menos foi isso o que aconteceu em 2009, quando o serviço registrou 2.791 denúncias, 51,7 % a mais se comparadas às de 2008. A Secretaria Executiva Regional (SER) V - onde estão bairros como Bom Jardim, Maraponga, Granja Portugal e Siqueira - foi a que teve o maior número de denúncias, com 646 registros. As estatísticas da Regional ficaram à frente das registradas na Ser II, onde estão, por exemplo, Centro e Praia de Iracema. Muito embora, a maioria dos tipos das denúncias coincidam. Motivos A coordenadora pedagógica do Movimento de Saúde Mental do Bom Jardim (MSMCBJ), Lídia Rodrigues, que trabalha há seis anos com exploração sexual de crianças e adolescentes, diz que os números são significativos, pois é justamente esse descaso que acaba expondo o jovem à situação de violência sexual. "Principalmente, a negligência e a violência física". Márcia Cristine Pereira Oliveira, da Coordenação Colegiada Fórum Cearense de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, alerta para o fato de que os números oficiais não representam o total de casos. Porém, afirma que, a partir desses resultados, a Prefeitura pode elaborar políticas públicas de enfrentamento à violação desses direitos. "Hoje, temos a tipificação dessas denúncias e uma população mais sensibilizada. Então, os órgãos governamentais devem dar respostas rápidas à sociedade, para que ela não fique tão desacreditada". Desde o ano de 2008, o DDCA já recebeu 4.630 denúncias de violações de direitos. O serviço funciona para a defesa de meninas e meninos e para detectar em que áreas se percebem mais violações. EXEMPLO Bom Jardim ganha com projetos sociais Recentemente, foi inaugurado mais um projeto social na região do Grande Bom Jardim, que compreende os bairros Siqueira, Canindezinho, Granja Portugal, Granja Lisboa e Bom Jardim, além de mais de 30 comunidades. A iniciativa partiu da organização não governamental italiana Modena Terzo Mondo e da Federação das Trabalhadoras do Sexo, a fim de mudar o perfil de crianças, adolescentes e jovens da região. A experiência rendeu a estruturação de um local educativo no qual são desenvolvidas atividades artísticas, como dança, teatro e artes plásticas, e um espaço poliesportivo, onde são desenvolvidas atividades esportivas e comunitárias. Segundo a presidente da federação, Rosarina Sampaio da Silva, a região necessita desse tipo de iniciativa devido às suas amplas contradições sociais e econômicas. "Essas desigualdades refletem com maior força na vida de crianças, adolescentes e jovens. A prova disso é que os dados sociais da cidade apontam os bairros do Grande Bom Jardim como sendo a região de origem da maioria das crianças e dos adolescentes em situação de rua ou em exploração sexual comercial", disse. Enfrentamento Apesar de ser umas das áreas mais carentes da Capital, com Índices de Desenvolvimento Humano (IDHs) mais baixos, é uma das regiões que mais denunciam as violações de direitos da criança e do adolescente. "Isso demonstra a sensibi-lização das camadas mais pobres da população para as questões da infância e da adolescência", afirmou Rosarina. OPINIÃO DO ESPECIALISTA Importância das ONGs para os bairros Márcia Cristine Pereira - Coord. Associação Curumins O desenvolvimento de projetos das ONGs no Grande Bom Jardim tem um caráter de fortalecer a comunidade local, garantindo atendimento diferenciado e de qualidade às crianças e adolescentes e, sobretudo, a seus familiares. O papel desempenhado pelas ONGs nos bairros é recebido pela comunidade como uma esperança de mudança de vida para si e seus filhos. Com direito a lazer, cultura e oportunidades de ampliar seus conhecimentos técnicos e profissionais, os moradores locais passam a ter mais condições de assegurar educação e cuidado adequado a seus filhos evitando, assim, a ida desses às ruas a procura de sobrevivência, situação que na maioria das vezes leva ao envolvimento com diversas formas de violência. A presença de ONGs no bairro é indispensável, uma vez que a região não dispõe de equipamentos sociais públicos o suficiente para atender as demandas de toda a população da área. Estando situada na Regional V, que apresenta o menor IDH de Fortaleza, infelizmente não tem o mesmo peso na aplicação do orçamento municipal em relação a outras regionais. Fonte: Diário do Nordeste

Por:
Assessoria de Comunicação

 
   
   
   
     
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A Declaração Universal dos Direitos da Criança (1959) estabelece que toda criança tem: